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Respostas e reações

Valdete Braga

Estamos na era da comunicação não verbal. Cada vez falamos menos, escrevemos menos, nos comunicamos menos pelo método “tradicional”. Seja um bate papo informal ou uma notícia de interesse público, seja uma conversa entre amigos ou um assunto coletivo, cada vez usamos menos as palavras.

Isto acontece também em conversas presenciais, mas na escrita é bem mais comum. Depois da criação dos “emojis” como instrumentos para diálogos virtuais, as pessoas usam cada vez menos frases ou palavras. Gravuras e desenhos substituem tudo, nos tornando preguiçosos até para responder a um simples cumprimento, que seja.

As pessoas não respondem mais, elas “reagem”. Alguém manda uma mensagem de cumprimento por uma data específica ou por uma atitude tomada por um amigo que ela admirou e o amigo, ao invés de responder “obrigado” ou algo semelhante, clica em um emoji e ele automaticamente aparece embaixo do texto que foi enviado. Alguém conta um fato positivo que vivenciou e em lugar de um “que legal”, “fico feliz por você” ou mesmo o habitual “parabéns”, aparecem duas mãozinhas batendo palmas embaixo da mensagem.

Até há pouco tempo, os desenhos eram clicados como resposta, agora eles aparecem como “reação”, em uma tentativa de individualizar ainda mais as respostas sem palavras.

Tudo se tornou imagem. Não falamos mais, não papeamos, não trocamos ideias, enfim não nos comunicamos, só clicamos. As respostas estão prontas no celular ou no computador, já criadas sem emoção ou sentimento.

Nossos sentimentos são acessados através da alma, e é isso que os tornam tão especiais. Quando tentamos conectá-los por meio de um clique em uma tela, a magia se esvai. O desenho de uma palminha não se compara a um “parabéns” dito com carinho, a energia emanada em um “Deus te abençoe” ou “graças a Deus” jamais poderá ser substituída pela figura de duas mãozinhas postas. Estas respostas, produzidas mecanicamente, não são nossas, são do equipamento que estamos usando.

O mais triste deste quadro é que estamos mergulhando nele sem percebermos sua gravidade. Seguimos pelo caminho mais fácil, pela praticidade e pela preguiça. É mais fácil não falar, não pensar, encontrar tudo pronto e não termos trabalho. Assim vamos aceitando o que nos é oferecido sem questionar, e não percebemos que até a capacidade do questionamento estamos perdendo.

Não somos máquinas, precisamos usar o digital para nosso crescimento, mas sem nos esquecermos disto. Substituir frases e palavras por figurinhas pode parecer algo pequeno e sem importância, mas é assim que começa uma troca que pode crescer e nos tornar cada vez mais preguiçosos e dependentes. Se começarmos a prestar atenção no supostamente pequeno, vamos nos policiando para não cairmos em armadilhas dos grandes.

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